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Exercício físico na esclerose múltipla

Hoje comemora-se o Dia Mundial da Esclerose Múltipla. Neste artigo conheça esta doença autoimune, e que dura uma vida, assim como as recomendações do exercício físico como coadjuvante terapêutico desta condição de saúde.

O que é a Esclerose Múltipla?

É uma doença crónica, inflamatória e degenerativa, que afeta o sistema nervoso central. Surge frequentemente entre os 20 e os 40 anos de idade e tem maior incidência nas mulheres do que nos homens. Vários fatores podem estar na sua origem, desde a hereditariedade, o ambiente ou o sistema imunológico. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, estima-se que em todo o mundo existam cerca de 2.500.000 pessoas com esclerose múltipla. Em Portugal a estimativa desta doença é de 5.000 doentes.

Sintomas da Esclerose Múltipla

  • Alterações da sensibilidade
  • Fadiga
  • Dor
  • Alterações urinárias e intestinais
  • Alterações cognitivas
  • Alteração de humor e depressão
  • Perda da força muscular nos braços e nas pernas
  • Neurite ótica

 

A Esclerose Múltipla e o exercício físico

Durante muito tempo as pessoas com esclerose múltipla (EM) foram orientadas a reduzir o seu nível de atividade física. Esse tipo de orientação pretendia promover a conservação da energia, evitar o aumento da temperatura corporal e, assim, controlar a fadiga e diminuir o risco de exacerbação dos sintomas da doença. A implicação da adoção de um estilo de vida sedentário repercutiu-se num risco acrescido de doenças cardíacas e noutras  condições associadas a inatividade física e a distúrbios característicos da EM, como espasticidade, perda de coordenação motora, fraqueza muscular, problemas de equilíbrio e fadiga. Contrariamente a este panorama, nos últimos anos grupos de pessoas com EM têm-se envolvido em programas com exercício físico e alcançado benefícios similares àqueles obtidos por pessoas saudáveis.

Vários estudos evidenciam os efeitos positivos da atividade física e do exercício integrando nas rotinas diárias do indivíduo, no sentido de promover o bem-estar físico e a qualidade de vida, através do aumento da atividade física diária, nos hábitos de vida ou através de práticas de exercício físico
supervisionadas por profissionais (ver referências abaixo).

Indicações de exercício físico para pessoas com esclerose múltipla:

  1. Compreender o quadro clínico do individuo.  O médico que acompanha deve ser sempre consultado. Este profissional poderá fornecer informações precisas a cerca do estágio de progressão da doença e das especificidades do quadro clínico atual. Poderá ainda indicar dificuldades e limitações fisiológicas peculiares de cada paciente, o que pode ser fundamental para a determinação de um programa adequado de exercícios. O contato com o médico deve ser mantido para que a constante troca de informações possa permitir intervenções coerentes ao longo do tempo.
  2. A segunda etapa a considerar é verificar o histórico de atividades físicas e as principais dificuldades decorrentes de incapacidades. Informações sobre a adaptação de exercícios e preferências do indivíduo por alguma atividade específica são valiosas e devem ser registadas. A prática de uma atividade que satisfaça o indivíduo pode influenciar favoravelmente na adesão ao programa.
  3. A necessidade de avaliação da função motora. O estabelecimento de parâmetros para avaliação pode ser útil para quantificar a evolução do paciente. Estes testes ajudarão a reconhecer locais específicos de fraqueza

Considerando as capacidades, limitações e objetivos pessoais de cada indivíduo pode-se estabelecer o programa mais adequado de exercícios físicos.

De maneira geral recomenda-se exercícios de volume e intensidade moderada, com sessões em dias intercalados que permitam a sua adequada recuperação.

Eis as principais recomendações:

  • Exercício aeróbio de intensidade moderada para um total de 20 a 30 minutos por sessão, alternando com períodos de descanso, duas a três vezes por semana.
  • Treino de resistência com baixa ou moderada intensidade é bem tolerado pelos pacientes com EM
  • Associados a estes exercícios foram recomendados exercícios de flexibilidade de intensidade moderada, bem como exercícios de fortalecimento muscular.
  • O programa de exercícios deverá ser constituído por 4 a 8 tipos de exercícios diferentes, e deverão ser utilizados exercícios que solicitam grandes músculos numa primeira abordagem e só depois pequenos músculos.
  • O número de séries de exercícios deverá iniciar-se com 1-3 séries, aumentando progressivamente para 3-4 séries. O descanso entre as séries de exercícios deverá ser de 2-4minutos.

 

O AXIS WELLNESS disponibiliza serviços de Exercício Clínico como coadjuvante terapêutico a pessoas portadoras desta patologia. Possuímos uma equipa multidisciplinar, com médico especializado em medicina desportiva, fisioterapeutas, nutricionista, e fisiologistas do exercício. Trabalhamos em articulação com o tratamento prescrito pelo médico que acompanha o paciente. Saibam mais sobre a área de exercício clínico do AXIS WELLNESS clicando aqui ou através dos nºs 258 847 555 (Viana do Castelo) .

Referências:

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