10.000 passos: mito ou verdade?

Durante anos, ouvimos a mesma recomendação: “Deve dar 10.000 passos por dia.” Relógios inteligentes, aplicações de atividade física e campanhas de saúde popularizaram este objetivo, levando muitas pessoas a acreditar que existe um número mágico para manter uma boa saúde.
Mas será mesmo assim?
A verdade é que os 10.000 passos não nasceram da ciência, mas sim de uma campanha de marketing japonesa na década de 1960. Curiosamente, a investigação científica realizada nas últimas décadas veio demonstrar que os benefícios da caminhada começam muito antes desse número.
A origem dos 10.000 passos
Em 1965, uma empresa japonesa lançou um pedómetro chamado Manpo-kei, que significa literalmente “medidor de 10.000 passos”.
O número foi escolhido por ser fácil de memorizar e por transmitir uma meta ambiciosa, mas alcançável. Na altura, não existiam estudos científicos que demonstrassem que 10.000 passos eram o valor ideal para proteger a saúde.
Com o passar dos anos, esta meta foi sendo adotada por fabricantes de pedómetros, relógios inteligentes e aplicações móveis, tornando-se uma referência mundial.
Só mais tarde a comunidade científica começou a investigar quantos passos são realmente necessários para melhorar a saúde e reduzir o risco de doença.
O que diz a ciência?
Hoje sabemos que não existe um número mágico.
Uma meta-análise publicada em 2023, na revista The Lancet Public Health, analisou dados de mais de 110.000 adultos e concluiu que:
- Pessoas que caminhavam cerca de 4.000 passos por dia já apresentavam um risco de mortalidade inferior ao das pessoas mais sedentárias;
- Entre 6.000 e 8.000 passos diários, observava-se uma redução significativa do risco de morte e de doenças cardiovasculares;
- Acima dos 8.000 a 10.000 passos, os benefícios continuavam a aumentar, embora de forma mais gradual.
Isto significa que cada passo conta. Se atualmente faz 3.000 passos por dia, aumentar para 5.000 ou 6.000 já representa um ganho importante para a sua saúde.
📌 Sabia que?
Os famosos 10.000 passos por dia não nasceram de uma recomendação médica, mas sim de uma campanha de marketing lançada no Japão em 1965. Hoje, a ciência mostra que os benefícios para a saúde começam muito antes desse número.
Porque faz tão bem caminhar?
Caminhar é uma das formas mais simples, acessíveis e eficazes de praticar atividade física. Não exige equipamento específico, pode ser feito praticamente em qualquer lugar e adapta-se facilmente à condição física de cada pessoa.
Diversos estudos demonstram que caminhar regularmente pode contribuir para:
- ❤️ Reduzir o risco de doenças cardiovasculares;
- 🩺 Ajudar no controlo da tensão arterial;
- 🍬 Melhorar o controlo da diabetes tipo 2;
- ⚖️ Contribuir para a manutenção de um peso saudável;
- 🧠 Melhorar a saúde mental, reduzindo sintomas de ansiedade e depressão;
- 😴 Promover um sono de melhor qualidade;
- 🦴 Preservar a mobilidade e a autonomia, especialmente com o avançar da idade.
Mais do que um objetivo diário, caminhar deve ser encarado como um investimento contínuo na saúde.
Os passos são importantes… mas não contam toda a história
Embora o número de passos seja um bom indicador do nível de atividade física diária, não substitui a prática regular de exercício físico estruturado.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que todos os adultos realizem semanalmente:
- 150 a 300 minutos de atividade física aeróbia de intensidade moderada, como caminhada rápida, bicicleta ou natação;
ou
- 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, como corrida ou modalidades de elevada intensidade.
Além disso, recomenda-se a realização de pelo menos duas sessões semanais de treino de força, envolvendo os principais grupos musculares.
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Para os adultos com 65 ou mais anos, é igualmente importante incluir exercícios que trabalhem o equilíbrio e a coordenação, reduzindo o risco de quedas e promovendo a independência.
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Caminhar é suficiente?
Depende dos seus objetivos. Se o objetivo é combater o sedentarismo, caminhar diariamente já representa um enorme benefício.
No entanto, para melhorar a condição física, aumentar a massa muscular, fortalecer os ossos e preservar a funcionalidade ao longo da vida, o treino de força continua a ser indispensável.
Da mesma forma, caminhar a um ritmo muito lento não produz os mesmos efeitos que uma caminhada rápida ou em terreno inclinado.
Sempre que possível, procure caminhar a um ritmo que aumente ligeiramente a frequência cardíaca e a respiração, mantendo, ainda assim, a capacidade de conversar.
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Como aumentar os passos no dia a dia?
Não precisa de reservar uma hora para caminhar. Pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença:
- Estacione o carro um pouco mais longe do destino;
- Opte pelas escadas em vez do elevador;
- Faça pequenas caminhadas durante as pausas no trabalho;
- Caminhe enquanto fala ao telefone;
- Dê um passeio de 10 a 15 minutos após as refeições;
- Sempre que possível, faça pequenas deslocações a pé.
Estas alterações simples ajudam a reduzir o tempo passado sentado e aumentam naturalmente o número de passos diários.
Mais importante do que atingir 10.000 passos é deixar de ser sedentário
A maior mensagem que a ciência nos deixa é simples: Não existe um número mágico que separe as pessoas saudáveis das menos saudáveis.
Os 10.000 passos continuam a ser uma excelente meta para quem a consegue atingir, mas não devem ser vistos como uma obrigação.
Se hoje faz poucos passos, aumentar gradualmente a sua atividade diária terá um impacto muito mais significativo do que perseguir um objetivo difícil de alcançar e acabar por desistir.
A saúde constrói-se através da consistência e não da perfeição.
No AXIS WELLNESS acreditamos que cada caminhada, cada treino e cada escolha saudável representam um passo na direção certa.
Porque, no final, o melhor objetivo não é atingir os 10.000 passos. É continuar a dar o próximo passo.
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Referências bibliográficas
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- American College of Sports Medicine. ACSM’s Guidelines for Exercise Testing and Prescription. 12th ed. Wolters Kluwer; 2024.
Imagem gerada por IA