Axis Wellness Club

Cancro da mama: prevenir é cuidar

O cancro da mama continua a representar um importante desafio de saúde pública. Conhecer os fatores de risco e adotar hábitos de vida saudáveis, nomeadamente através da prática regular de exercício físico e de uma alimentação equilibrada, são passos importantes para promover a saúde e melhorar a qualidade de vida.

Assinalado a 19 de outubro, o Dia Mundial do Cancro da Mama constitui uma oportunidade para reforçar a sensibilização para uma doença que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Embora seja mais frequente nas mulheres, o cancro da mama também pode surgir nos homens.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o cancro da mama é o tipo de cancro mais frequentemente diagnosticado nas mulheres a nível mundial. A prevenção, o diagnóstico precoce e o acesso a cuidados de saúde adequados são, por isso, prioridades fundamentais.

Embora não seja possível prevenir todos os casos, a evidência científica demonstra que determinados fatores relacionados com o estilo de vida podem influenciar o risco de desenvolver a doença. Mas a importância destes hábitos não termina na prevenção: o exercício físico e uma nutrição adequada podem também contribuir para preservar a condição física e melhorar a qualidade de vida durante e após os tratamentos.

1. Cancro da mama: conhecer os fatores de risco

O cancro da mama resulta do crescimento descontrolado de células do tecido mamário. O seu desenvolvimento é complexo e envolve fatores biológicos, genéticos, hormonais, ambientais e comportamentais.

Entre os fatores de risco conhecidos encontram-se a idade, os antecedentes familiares, determinadas alterações genéticas, a exposição hormonal ao longo da vida e alguns fatores relacionados com o estilo de vida.

O consumo de bebidas alcoólicas, o excesso de peso e a obesidade, sobretudo após a menopausa, e a inatividade física estão associados a um maior risco de desenvolver cancro da mama.

Importa, contudo, sublinhar que a presença de um fator de risco não significa que a doença irá necessariamente desenvolver-se. Do mesmo modo, uma pessoa sem fatores de risco identificáveis pode vir a receber este diagnóstico.

A adoção de hábitos saudáveis não elimina o risco, mas constitui uma forma importante de promover a saúde a longo prazo.

PODE TER INTERESSE EM LER: Prevenção do Cancro da Mama – siga os nossos conselhos!

2. Exercício físico: um aliado na prevenção

A atividade física regular é um dos comportamentos de saúde com benefícios comprovados na prevenção de várias doenças crónicas, incluindo determinados tipos de cancro.

No caso do cancro da mama, os estudos científicos indicam que as mulheres fisicamente mais ativas apresentam, em média, um risco inferior de desenvolver a doença, sendo esta associação particularmente relevante após a menopausa.

A atividade física contribui para regular o peso corporal, influencia o metabolismo das hormonas sexuais, melhora a sensibilidade à insulina e ajuda a controlar processos inflamatórios. Estes mecanismos podem contribuir para reduzir algumas das condições biológicas associadas ao desenvolvimento do cancro.

PODE TER INTERESSE EM LER: EXERCÍCIO REDUZ SIGNIFICATIVAMENTE RISCO DE MORTE POR CANCRO

Quanto exercício é recomendado?

A Organização Mundial da Saúde recomenda que os adultos realizem semanalmente:

  • 150 a 300 minutos de atividade física aeróbia de intensidade moderada, como caminhar a passo acelerado, andar de bicicleta ou nadar;
  • ou 75 a 150 minutos de atividade física aeróbia de intensidade vigorosa, ou uma combinação equivalente;
  • exercícios de fortalecimento muscular pelo menos dois dias por semana, envolvendo os principais grupos musculares.

Estas recomendações devem ser adaptadas à condição física, à idade e às limitações individuais.

Para quem tem um estilo de vida sedentário, aumentar progressivamente a atividade diária, caminhar mais ou iniciar um programa de exercício adequado pode representar um primeiro passo importante.

A regularidade é essencial: os benefícios resultam da prática continuada, e não de esforços ocasionais.

3. Alimentação equilibrada e peso corporal saudável

A alimentação é outro componente importante de um estilo de vida promotor de saúde. O excesso de gordura corporal, particularmente após a menopausa, está associado a um maior risco de cancro da mama. Nesta fase da vida, o tecido adiposo constitui uma fonte importante de estrogénios, hormonas que podem estimular o crescimento de determinados tumores mamários.

A manutenção de um peso corporal saudável, através de uma alimentação equilibrada e de atividade física regular, constitui, por isso, uma estratégia relevante de prevenção.

Que alimentos devem fazer parte da alimentação habitual?

Um padrão alimentar saudável deve privilegiar a variedade e a qualidade nutricional. Na prática, recomenda-se:

  • Hortícolas e fruta: fornecem vitaminas, minerais, fibra e diversos compostos bioativos.
  • Cereais integrais e leguminosas: como aveia, pão integral, feijão, grão-de-bico e lentilhas, contribuem para a ingestão de fibra.
  • Fontes de proteína variadas: incluindo peixe, ovos, leguminosas e carnes brancas, de acordo com as necessidades individuais.
  • Gorduras predominantemente insaturadas: presentes, por exemplo, no azeite, nos frutos oleaginosos e em algumas sementes.
  • Água: como bebida de eleição para assegurar uma hidratação adequada.

 

Em paralelo, importa limitar o consumo de carnes processadas, moderar o consumo de carne vermelha e reduzir a ingestão habitual de alimentos muito ricos em sal, açúcares adicionados ou gorduras de baixa qualidade nutricional.

Não existe, porém, um alimento isolado que previna o cancro da mama, nem uma dieta específica que garanta proteção contra a doença. A evidência científica apoia sobretudo a adoção de um padrão alimentar globalmente saudável, integrado num estilo de vida ativo.

E o consumo de álcool?

O consumo de bebidas alcoólicas está associado a um aumento do risco de cancro da mama. Em termos gerais, quanto maior o consumo, maior o risco.

Por este motivo, do ponto de vista da prevenção do cancro, a opção mais prudente é não consumir bebidas alcoólicas.

4. Exercício físico durante e após o tratamento do cancro da mama

Os benefícios da atividade física não se limitam à prevenção. A investigação científica demonstra que o exercício, devidamente adaptado, pode constituir uma componente importante dos cuidados de suporte às pessoas com cancro da mama.

Durante os tratamentos, a fadiga relacionada com o cancro pode dificultar as atividades quotidianas e afetar significativamente o bem-estar. A evidência indica que programas de exercício adequados podem ajudar a reduzir a fadiga, preservar a condição física e melhorar a qualidade de vida.

O exercício pode também contribuir para manter a força muscular, a capacidade cardiorrespiratória, a mobilidade e a autonomia, aspetos especialmente relevantes durante períodos de menor atividade física.

Após os tratamentos, a prática regular pode ajudar a recuperar a capacidade funcional e a retomar progressivamente as atividades habituais. Estudos observacionais associam ainda níveis mais elevados de atividade física após o diagnóstico a melhores resultados de saúde, embora estas associações não signifiquem que o exercício, por si só, cure o cancro ou impeça a sua recorrência.

PODE TER INTERESSE EM LER: EXERCÍCIO LEVE A MODERADO MELHORA O PROGNÓSTICO DE PACIENTES ONCOLÓGICOS

Que cuidados devem ser considerados?

O programa de exercício deve ser adaptado ao estado clínico, à fase do tratamento, à condição física e aos efeitos secundários existentes. Consoante cada situação, pode incluir:

  • Exercício aeróbio, como caminhar, pedalar ou utilizar equipamentos cardiovasculares.
  • Treino de força, para ajudar a preservar ou recuperar a massa e a função muscular.
  • Exercícios de mobilidade e flexibilidade, particularmente úteis quando existem limitações de movimento na região do ombro e do braço.
  • Exercícios de equilíbrio e controlo motor, quando necessários para responder a alterações funcionais.

 

Em pessoas submetidas a cirurgia mamária ou axilar, radioterapia ou quimioterapia, a progressão deve ter em conta a cicatrização, a dor, a fadiga e a mobilidade.

Quando existe risco ou presença de linfedema, o exercício não deve ser automaticamente excluído. A atividade física e o treino de força progressivo, adequadamente orientados, podem ser seguros e benéficos, mas o plano deve considerar as necessidades individuais e a avaliação clínica.

Antes de iniciar ou alterar significativamente um programa de exercício durante o tratamento, é aconselhável articular a intervenção com a equipa de saúde. A supervisão por profissionais qualificados pode facilitar uma progressão segura e individualizada.

5. Nutrição durante a recuperação: mais do que controlar o peso

Durante e após o tratamento do cancro da mama, a alimentação deve responder às necessidades nutricionais e à situação clínica de cada pessoa.

A cirurgia, a quimioterapia, a radioterapia e outras terapêuticas podem provocar efeitos secundários que interferem com a alimentação, como náuseas, alterações do paladar, perda de apetite ou dificuldades em manter uma ingestão alimentar adequada.

Nestas circunstâncias, o objetivo não deve ser simplesmente perder peso ou seguir uma dieta restritiva. É essencial garantir energia, proteína, vitaminas, minerais e hidratação suficientes para apoiar a recuperação e preservar a massa muscular.

A proteína assume particular importância quando existe perda de peso involuntária, redução da ingestão alimentar ou diminuição da massa muscular. Alimentos como peixe, ovos, lacticínios e leguminosas podem ajudar a satisfazer as necessidades, de acordo com as preferências e as recomendações clínicas.

A intervenção de um nutricionista com experiência em oncologia pode ser especialmente útil para avaliar as necessidades individuais, adaptar a alimentação aos efeitos secundários e evitar défices nutricionais.

Os suplementos alimentares podem ajudar?

Os suplementos não substituem uma alimentação equilibrada nem os tratamentos oncológicos. Alguns produtos, particularmente quando utilizados em doses elevadas, podem interferir com determinados medicamentos ou tratamentos.

A utilização de vitaminas, minerais, antioxidantes concentrados ou produtos comercializados como anticancerígenos deve, por isso, ser discutida com a equipa de saúde antes de ser iniciada.

Também não existe evidência suficiente para recomendar uma dieta específica como forma de eliminar células cancerígenas, impedir a progressão da doença ou substituir a terapêutica prescrita.

A prioridade deve ser uma alimentação nutricionalmente adequada, ajustada à situação clínica e sustentada por evidência científica.

6. Um estilo de vida saudável é uma estratégia integrada

A prevenção e a promoção da saúde não dependem de uma única escolha. Resultam da combinação de comportamentos mantidos ao longo do tempo.

Para além do exercício físico e da alimentação, importa valorizar a qualidade do sono, evitar o tabaco, limitar ou evitar o álcool, reduzir os períodos prolongados de sedentarismo e manter o acompanhamento regular dos cuidados de saúde.

No AXIS WELLNESS, a atividade física é entendida como uma ferramenta de promoção da saúde, com programas e acompanhamento profissional que permitem adaptar o treino a diferentes objetivos e condições físicas.

No contexto da doença oncológica, a integração do exercício deve ser individualizada e articulada com a equipa clínica, respeitando as limitações, a fase de tratamento e a evolução de cada pessoa.

Neste Dia Mundial do Cancro da Mama, a mensagem é clara: informação credível, acompanhamento adequado e hábitos saudáveis podem fazer a diferença. Cuidar da saúde é um compromisso contínuo, construído diariamente através de escolhas conscientes e sustentadas no conhecimento científico.

Importa ainda recordar que o diagnóstico precoce, através do cumprimento das recomendações de rastreio e da avaliação médica atempada de alterações suspeitas, pode aumentar as possibilidades de tratamento eficaz e melhorar o prognóstico.

Saiba que o AXIS WELLNESS também disponibiliza serviços de Exercício Clínico como coadjuvante terapêutico a pessoas portadoras desta patologia. Possuímos uma equipa multidisciplinar, com médico especializado em medicina desportiva, fisioterapeutas, nutricionista, e fisiologistas do exercício. Trabalhamos em articulação com o tratamento prescrito pelo médico que acompanha o paciente.

Para mais informações sobre os nossos serviços clique aqui, ou contacte-nos através dos nºs 258 847 555 (Viana do Castelo)

Nota: este artigo tem caráter informativo e não substitui o aconselhamento, o diagnóstico ou o tratamento por profissionais de saúde.


Referências científicas

  1. World Health Organization (WHO). Breast cancer.
    https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/breast-cancer
  2. World Cancer Research Fund (WCRF). Preventing breast cancer.
    https://www.wcrf.org/preventing-cancer/cancer-types/breast-cancer/preventing/
  3. World Cancer Research Fund / American Institute for Cancer Research. Be physically active.
    https://www.wcrf.org/research-policy/evidence-for-our-recommendations/be-physically-active/
  4. World Health Organization (WHO). WHO guidelines on physical activity and sedentary behaviour. 2020.
    https://www.who.int/publications/i/item/9789240015128
  5. Ligibel, J. A., et al. (2022). Exercise, Diet, and Weight Management During Cancer Treatment: ASCO Guideline. Journal of Clinical Oncology, 40(22), 2491–2507.
    https://doi.org/10.1200/JCO.22.00687
  6. World Cancer Research Fund (WCRF). Breast cancer survivors research.
    https://www.wcrf.org/research-policy/evidence-for-our-recommendations/after-a-cancer-diagnosis-follow-recommendations/breast-cancer-survivors-research/
  7. American Cancer Society (ACS). Nutrition and Physical Activity During and After Cancer Treatment.
    https://www.cancer.org/cancer/supportive-care/nutrition-activity-with-cancer.html
  8. National Cancer Institute (NCI). Physical Activity and Cancer Fact Sheet.
    https://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/risk/obesity/physical-activity-fact-sheet
  9. Direção-Geral da Saúde (DGS). Norma n.º 012/2024, de 6 de dezembro — Programa de Rastreio de Base Populacional do Cancro da Mama.
    https://www.dgs.pt/normas-orientacoes-e-informacoes/normas-e-circulares-normativas/norma-122024-de-06122024-programa-de-rastreio-de-base-populacional-do-cancro-da-mama.aspx

Créditos da foto: Magnific