Asma e atividade física

Durante muitos anos, a relação entre asma e exercício físico foi vista com alguma cautela. A ideia dominante era simples: pessoas com asma evitam o esforço físico para prevenir sintomas como falta de ar ou crises respiratórias. No entanto, a ciência começa a mostrar que esta perspetiva pode estar incompleta, e até contraproducente.
Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo veio trazer uma nova luz sobre o tema, sugerindo que o sedentarismo não é apenas uma consequência da asma, mas sim um fator que pode agravar significativamente a doença.
O que diz o estudo?
A investigação, publicada no European Respiratory Journal, analisou doentes com asma moderada a grave em diferentes contextos (Brasil e Austrália), avaliando não só a função respiratória, mas também fatores como nível de atividade física, composição corporal e estado psicológico.
Os resultados mostraram que:
- Pessoas fisicamente inativas apresentavam pior controlo da asma
- O sedentarismo estava associado a maior risco de exacerbações
- Fatores como obesidade e ansiedade surgiam frequentemente associados a piores resultados clínicos
Estes dados reforçam uma ideia essencial: a asma não deve ser tratada apenas do ponto de vista respiratório, mas sim de forma global.
Uma abordagem mais completa à asma
A asma é uma doença crónica e multifatorial. Mesmo com tratamento adequado, existem vários fatores que influenciam o seu controlo:
- Nível de atividade física
- Peso corporal
- Saúde mental
A evidência científica mostra que o sedentarismo, a obesidade e sintomas de ansiedade ou depressão estão diretamente ligados a piores resultados na asma e maior risco de crises .
Exercício físico e broncoespasmo: mito ou realidade?
O receio do exercício não é infundado. Em alguns casos, o esforço pode desencadear broncoespasmo, um estreitamento temporário das vias respiratórias.
No entanto, há um ponto crítico: a inatividade agrava esse problema. Um organismo descondicionado reage de forma mais intensa ao esforço, criando um ciclo vicioso difícil de quebrar.
O papel do exercício no controlo da asma
A literatura científica atual aponta para benefícios claros da atividade física regular:
- Melhoria da capacidade pulmonar
- Redução da inflamação das vias aéreas
- Melhor controlo clínico da doença
- Redução de exacerbações
Ensaios clínicos mostram inclusive que intervenções focadas no aumento da atividade física podem melhorar significativamente o controlo da asma em adultos .
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Começar com segurança faz toda a diferença
A chave não está em evitar o exercício, mas sim em adaptá-lo. Programas progressivos e supervisionados permitem melhorar a condição física sem aumentar o risco.
Modalidades como caminhada, natação ou ciclismo são frequentemente recomendadas, sobretudo quando integradas com treino respiratório e controlo da intensidade.
Um passo importante para respirar melhor
No AXIS WELLNESS dispomos de profissionais devidamente qualificados para acompanhar todas as pessoas portadoras de patologia asmática, e que pretendam tornar-se fisicamente mais ativas, com todos os benefícios que este processo poderá trazer para a sua qualidade de vida.
O objetivo é claro: melhorar a qualidade de vida através de uma abordagem integrada, onde o exercício assume um papel central.
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Referências:
Identification of asthma phenotypes based on extrapulmonary treatable traits
European Lung Foundation – Lifestyle factors play a role in asthma control
Chest Freitas, P. D. et al. (2021). Physical activity intervention improves asthma control