Axis Wellness Club

Que peso devo levantar? Como escolher a carga certa

Escolher o peso adequado para treinar é uma das dúvidas mais frequentes de quem começa a frequentar um ginásio, mas também de quem já tem alguma experiência de treino. Será que deve levantar mais peso para ganhar massa muscular? Como saber se a carga utilizada é suficiente? Quando é que está na altura de aumentar o peso?

A verdade é que não existe uma resposta universal. A carga ideal depende de vários fatores, nomeadamente dos objetivos individuais, da experiência de treino, do exercício realizado, da capacidade física e do número de repetições pretendido.

Mais importante do que levantar muito peso é escolher uma carga que permita estimular os músculos de forma eficaz, mantendo uma execução tecnicamente correta e uma progressão adequada.

Neste artigo, a AXIS WELLNESS explica como escolher o peso inicial, identificar a intensidade adequada e perceber quando deve aumentar a carga para continuar a evoluir no treino.

1. COMO ESCOLHER O PESO INICIAL?

O primeiro princípio é simples: o peso adequado é aquele que representa um desafio para os músculos, sem comprometer a técnica de execução.

Para quem está a iniciar o treino de força, é aconselhável começar com cargas relativamente leves. Esta abordagem permite aprender corretamente os movimentos, desenvolver o controlo muscular e adquirir uma boa base técnica antes de aumentar a intensidade.

Uma forma prática de encontrar a carga inicial consiste em:

  • Escolher um peso que permita realizar o número de repetições previsto no plano de treino.
  • Executar o exercício de forma controlada, respeitando a amplitude de movimento recomendada.
  • Avaliar o esforço sentido nas últimas repetições.
  • Perceber se ainda seria possível realizar mais duas ou três repetições com uma técnica correta.

 

Se conseguir realizar muitas mais repetições sem sentir um esforço significativo, a carga poderá ser demasiado leve. Pelo contrário, se não conseguir completar as repetições previstas ou começar a perder a qualidade técnica do movimento, poderá estar a utilizar um peso excessivo.

O objetivo é encontrar um equilíbrio entre esforço muscular e qualidade de execução.

PODE TER INTERESSE EM LER: Pesos livres ou máquinas de resistência: o que é melhor?

2. COMO SABER SE ESTÁ A UTILIZAR A CARGA CERTA?

Uma das ferramentas utilizadas na prescrição do treino de força é o conceito de Repetições em Reserva (RIR – Repetitions in Reserve).

Este indicador permite estimar quantas repetições adicionais ainda seria possível realizar no final de uma série, mantendo uma execução tecnicamente adequada.

Por exemplo:

  • 4 RIR: ainda seria possível realizar aproximadamente quatro repetições.
  • 3 RIR: ainda seria possível realizar três repetições.
  • 2 RIR: ainda seria possível realizar duas repetições.
  • 1 RIR: apenas seria possível realizar mais uma repetição.
  • 0 RIR: foi atingida a falha muscular momentânea, não sendo possível completar outra repetição.

 

Para muitos praticantes, realizar séries próximas da falha muscular, mantendo aproximadamente uma a três repetições em reserva, pode ser uma estratégia eficaz para estimular a adaptação muscular.

No entanto, não é necessário atingir a falha muscular em todas as séries. A investigação científica demonstra que é possível obter ganhos de força e massa muscular sem levar sistematicamente os exercícios até à exaustão.

Uma meta-regressão publicada em 2024 na revista Sports Medicine analisou a relação entre a proximidade da falha muscular e os resultados do treino de força, concluindo que a relação entre esforço e adaptação depende do objetivo e da forma como o treino é estruturado.

Atenção: a perceção do esforço melhora com a experiência. Os principiantes devem privilegiar a aprendizagem técnica e, sempre que necessário, recorrer à orientação de um profissional de exercício físico.

PODE TER INTERESSE EM LER: Treino de força para principantes: comece a prática com os nossos conselhos!

3. QUE PESO DEVE UTILIZAR NOS EXERCÍCIOS COM HALTERES?

Não existe um peso universal para cada exercício. A carga adequada varia consoante o grupo muscular, o movimento, a experiência e a capacidade individual.

Por exemplo, os músculos das pernas conseguem geralmente produzir mais força do que os músculos dos braços. Por isso, o peso utilizado num agachamento com halter (Goblet Squat) será normalmente superior ao utilizado numa flexão dos braços com halteres (Biceps Curl).

Na escolha dos halteres, devem ser considerados vários fatores:

  • Grupo muscular: diferentes músculos apresentam capacidades de produção de força distintas.
  • Tipo de exercício: os exercícios multiarticulares envolvem vários grupos musculares e permitem, geralmente, utilizar cargas superiores às dos exercícios isolados.
  • Experiência: quem está a começar deve privilegiar o domínio técnico antes de aumentar o peso.
  • Objetivo: a carga deve ser ajustada ao número de repetições, à intensidade e ao estímulo pretendido.

 

É também importante não comparar as cargas utilizadas por diferentes pessoas. O facto de alguém conseguir levantar halteres de 15 kg não significa que essa seja a carga adequada para outro praticante.

PODE TER INTERESSE EM LER: Experiência de treino é importante, mas será suficiente?

Cada pessoa tem capacidades, características e objetivos diferentes. A escolha do peso deve respeitar essa individualidade.

PODE TER INTERESSE EM LER: Conhece os pesos que estão disponíveis no seu ginásio?

4. QUE PESO DEVE LEVANTAR CONSOANTE O SEU OBJETIVO?

A carga utilizada deve estar relacionada com o objetivo do treino. A combinação entre peso, número de repetições, séries, volume total e esforço determina o estímulo aplicado ao organismo.

De uma forma geral, podem considerar-se as seguintes referências práticas:

Aumentar a massa muscular (hipertrofia)

Para promover o crescimento muscular, podem ser utilizadas diferentes cargas e intervalos de repetições, desde que o treino proporcione um estímulo suficientemente exigente.

Uma referência prática bastante utilizada é:

  • 6 a 12 repetições por série.
  • Cargas moderadas a elevadas, ajustadas à capacidade individual.
  • Séries realizadas com esforço significativo, geralmente próximas da falha muscular.
  • Volume de treino adequado e progressivo.

 

O objetivo é proporcionar um estímulo suficiente para promover a adaptação e o crescimento muscular.

Desenvolver força muscular

Para melhorar a força máxima, é habitual recorrer a cargas mais elevadas e a um número mais reduzido de repetições.

Como referência:

  • 3 a 6 repetições por série em muitos protocolos de força.
  • Cargas elevadas, adequadas à experiência do praticante.
  • Maior atenção à qualidade técnica e aos períodos de recuperação.
  • Progressão gradual das cargas.

 

O objetivo é aumentar a capacidade de produzir força e levantar cargas progressivamente superiores.

Melhorar a condição física geral

Para quem pretende melhorar a condição física, desenvolver força e aumentar a resistência muscular, podem ser utilizadas cargas moderadas e um número mais elevado de repetições.

Como referência:

  • 8 a 15 repetições por série.
  • Cargas moderadas.
  • Exercícios que envolvam os principais grupos musculares.
  • Atenção à consistência e à qualidade da execução.

 

O objetivo é melhorar a força, a resistência muscular e a capacidade funcional.

Importa salientar: estes intervalos são referências práticas e não regras rígidas. A evidência científica demonstra que a hipertrofia pode ocorrer com diferentes cargas, desde que o treino proporcione esforço e volume adequados. Já o desenvolvimento da força máxima tende a beneficiar mais da utilização de cargas elevadas e de uma maior especificidade do treino.

5. QUANDO DEVE AUMENTAR O PESO?

À medida que o treino evolui, o organismo adapta-se progressivamente ao esforço. Uma carga que inicialmente representava um desafio pode tornar-se mais fácil após várias semanas de exercício.

É neste contexto que surge o princípio da sobrecarga progressiva (Progressive Overload).

Este princípio consiste em aumentar gradualmente o estímulo aplicado aos músculos, permitindo continuar a promover adaptações e melhorias da capacidade física.

Mas como perceber que chegou o momento de aumentar a carga?

Alguns indicadores importantes incluem:

  • Consegue completar todas as séries e repetições previstas com facilidade.
  • Mantém uma execução tecnicamente correta durante todo o exercício.
  • Termina as séries com mais repetições em reserva do que o inicialmente previsto.
  • A carga utilizada já não representa um desafio adequado.

 

Quando estes indicadores estão presentes, poderá ser adequado aumentar ligeiramente o peso na sessão seguinte.

A progressão deve ser gradual e ajustada ao exercício e à capacidade individual. Não é necessário aumentar a carga em todas as sessões.

Além do peso, a sobrecarga progressiva também pode ser conseguida através de outras variáveis, como o número de repetições, o número de séries ou a frequência de treino.

O mais importante é progredir sem sacrificar a qualidade técnica.

PODE TER INTERESSE EM LER: 7 princípios básicos de treino – o segredo para atingir resultados!

6. QUANTO PESO DEVE LEVANTAR NO SUPINO?

O supino é um dos exercícios mais conhecidos do treino de força e uma das referências mais utilizadas para avaliar a força dos membros superiores.

No entanto, não existe um peso ideal aplicável a todas as pessoas.

A capacidade de levantar determinada carga depende de vários fatores:

  • Peso e composição corporal.
  • Experiência de treino.
  • Desenvolvimento muscular.
  • Comprimento dos membros e características biomecânicas.
  • Técnica de execução.
  • Histórico de treino e capacidade de recuperação.

 

Para quem está a começar, uma boa opção é aprender primeiro o movimento com uma carga reduzida, recorrendo, se necessário, a uma barra técnica ou a halteres leves.

A barra olímpica convencional pesa normalmente 20 kg, mas existem barras mais leves. Por isso, é importante confirmar o peso do equipamento antes de iniciar o exercício.

O objetivo inicial deve ser dominar o movimento, controlar a descida e a subida da barra e manter uma execução segura. Só depois deverá aumentar progressivamente a carga.

Nos exercícios realizados com cargas elevadas, especialmente no supino, é aconselhável utilizar suportes de segurança ou contar com a supervisão de um profissional.

PODE TER INTERESSE EM LER: Como usar o kettlebell: benefícios, exercícios e dicas de treino

7. QUE RESULTADOS PODE ESPERAR E QUANDO?

O treino de força proporciona adaptações progressivas, mas os resultados não surgem todos ao mesmo ritmo.

Nas primeiras semanas, é frequente observar melhorias na coordenação dos movimentos, na técnica e na capacidade de produzir força. Estas alterações estão frequentemente associadas a adaptações neuromusculares.

Com a continuidade do treino, podem surgir aumentos mais evidentes da força e da massa muscular.

A evolução depende de vários fatores:

  • Regularidade e consistência do treino.
  • Adequação das cargas e do volume de exercício.
  • Qualidade da recuperação e do sono.
  • Alimentação equilibrada e ingestão proteica adequada.
  • Experiência de treino e características individuais.

 

É importante estabelecer expectativas realistas: não existe um prazo universal para alcançar determinado resultado. A continuidade e a adequação do programa são muito mais importantes do que procurar resultados imediatos.

PODE TER INTERESSE EM LER: Sinais subtis de crescimento muscular

8. A IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO PROFISSIONAL

Escolher a carga adequada nem sempre é fácil, sobretudo para quem está a começar ou não tem experiência na prescrição do treino de força.

O acompanhamento de um Personal Trainer pode desempenhar um papel fundamental neste processo, ajudando a:

  • Avaliar a condição física e o nível de força inicial.
  • Selecionar as cargas adequadas a cada exercício.
  • Ensinar e corrigir a técnica de execução.
  • Definir o número de séries e repetições de acordo com os objetivos.
  • Monitorizar a evolução e ajustar progressivamente o plano de treino.
  • Evitar erros comuns associados à utilização de cargas excessivas ou insuficientes.

 

A avaliação periódica permite ainda perceber se o programa continua adequado e se está a produzir os resultados pretendidos.

PODE TER INTERESSE EM LER: Anovator M1: tecnologia ao serviço dos seus resultados

Na AXIS WELLNESS, a avaliação da condição física e a elaboração de um plano de treino individualizado são componentes importantes do acompanhamento dos sócios. A orientação profissional permite ajustar o treino às características, necessidades e objetivos de cada pessoa, promovendo uma prática mais segura, eficaz e consistente.

PODE TER INTERESSE EM LER: Vantagens de ter um treinador pessoal

CONCLUSÃO: MAIS IMPORTANTE DO QUE O PESO É A FORMA COMO TREINA!

Não existe uma carga perfeita que sirva para todos. O peso adequado é aquele que permite atingir o estímulo pretendido, respeitando a capacidade individual e mantendo uma execução tecnicamente correta.

Começar com cargas ajustadas, aprender os movimentos, respeitar a recuperação e aumentar progressivamente o desafio são princípios fundamentais para alcançar resultados sustentáveis.

Lembre-se: não é necessário levantar mais do que os outros. É necessário treinar de acordo com as suas capacidades e procurar evoluir ao seu próprio ritmo.

O segredo não está em levantar o máximo peso possível, mas em saber escolher a carga certa para cada objetivo.

Para mais informações sobre os nossos serviços, clique aqui, ou contacte-nos através do nº 258 847 555 (Viana do Castelo)


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. Currier, B. S., D’Souza, A. C., Singh, M. A. F., et al. (2026). American College of Sports Medicine Position Stand. Resistance Training Prescription for Muscle Function, Hypertrophy, and Physical Performance in Healthy Adults: An Overview of Reviews. Medicine & Science in Sports & Exercise, 58(4), 851–872. https://doi.org/10.1249/MSS.0000000000003897
  2. Robinson, Z. P., Pelland, J. C., Remmert, J. F., et al. (2024). Exploring the Dose-Response Relationship Between Estimated Resistance Training Proximity to Failure, Strength Gain, and Muscle Hypertrophy: A Series of Meta-Regressions. Sports Medicine, 54, 2209–2231. https://doi.org/10.1007/s40279-024-02069-2
  3. Refalo, M. C., Helms, E. R., Trexler, E. T., Hamilton, D. L., & Fyfe, J. J. (2023). Influence of Resistance Training Proximity-to-Failure on Skeletal Muscle Hypertrophy: A Systematic Review with Meta-analysis. Sports Medicine, 53, 649–665. https://doi.org/10.1007/s40279-022-01784-y