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Treinar descalço: a “trend” que não devia sair do TikTok

Nos últimos tempos, nas redes sociais tem circulado a ideia de que treinar musculação descalço melhora a postura, ativa músculos esquecidos e fortalece os pés. Influencers exibem-se a levantar pesos sem sapatos, muitas vezes com legendas motivacionais que sugerem que esta é a forma “natural” de treinar. Mas será que isso está realmente apoiado pela ciência? A resposta mais honesta: pode haver algumas adaptações musculares, mas os benefícios reais para treino de força são duvidosos, e os riscos são concretos.

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O que dizem os defensores, e o que diz a ciência

 

1. Aumento de propriocepção e ativação de músculos pequenos dos pés. Há evidência de que treinar sem calçado pode alterar a ativação neuromuscular e influenciar a estrutura e função dos músculos intrínsecos do pé, com alguns estudos mostrando melhorias na força de músculos do pé e no controlo neuromuscular em contextos específicos de treino descalço ou com calçado minimalista — embora estas adaptações sejam mais relevantes para equilíbrio e função do pé do que para performance em levantamento de cargas pesadas. (mdpi.com)

2. A propriocepção pode ser maior a pés nus, pois o contacto direto com o solo fornece mais dados sensoriais ao sistema nervoso, confirmado por pesquisas biomecânicas que mostram alteração nos padrões sensoriais em condições descalças versus calçado. (sevenpubl.com.br)

👉 Mas atenção: essas adaptações tendem a surgir apenas após treino progressivo e são modestos. Atualmente não há evidência robusta de que treinar descalço aumente a performance de força em exercícios como agachamento ou levantamento de peso comparado a usar calçado adequado. (mdpi.com)

Riscos reais que não podem ser ignorados

1. Sobrecarga e risco de lesão


A ausência de calçado altera a forma como as forças são distribuídas no pé. Estudos biomecânicos demonstram que o treino descalço pode aumentar a pressão no antepé e na fáscia plantar, estando associado a maior risco de lesões como fascite plantar, sobretudo em indivíduos habituados a treinar com suporte.

Além disso, a transição para treino descalço está associada a maiores taxas de carga e impacto, fatores reconhecidos como potenciadores de lesões por sobrecarga em estruturas como tendões e ligamentos.

A isto soma-se o risco mecânico evidente: num ambiente de musculação, a queda de um peso sobre o pé desprotegido pode resultar em lesões traumáticas evitáveis.

2. Falta de adaptação do pé moderno


Especialistas em podologia alertam que andar descalço constantemente não é seguro: sapatos fornecem conforto, amortecimento e proteção contra lesões, infeções e temperaturas extremas, e a maioria das pessoas — que cresceu com calçado — não tem pés adaptados para suportar carga prolongada sem suporte.

Observações clínicas durante o período de confinamento por COVID-19 mostraram um aumento significativo de casos de fascite plantar e distensões musculares, associados precisamente à redução do uso de calçado no dia a dia.

3. Higiene e infeções fúngicas


O pé-de-atleta (tinea pedis) é uma infeção fúngica comum da pele do pé causada por dermatófitos como Trichophyton spp., adquirida por contacto direto com superfícies infectadas, especialmente em ambientes húmidos como pisos de ginásios, balneários e duches. A literatura médica descreve claramente a prevalência e o mecanismo de transmissão desses fungos quando a pele entra em contacto direto com ambientes que favorecem a sua sobrevivência e disseminação.

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4. Questão comportamental e de segurança coletiva


Na prática, esta tendência tem também um impacto no ambiente do ginásio. É cada vez mais comum que alunos questionem a obrigatoriedade do uso de calçado e resistam quando são alertados para os riscos. No entanto, estas orientações não são arbitrárias, existem para garantir segurança, higiene e responsabilidade partilhada.

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Treinar musculação descalço pode até ter algum fundamento em termos de propriocepção ou fortalecimento específico dos músculos dos pés quando feito de forma controlada e progressiva. No entanto, os pequenos benefícios não compensam os grandes riscos: quedas, lesões por sobrecarga, infeções fúngicas e conflitos sociais em ginásios partilhados.

Por esta razão, na sala de musculação do Axis Wellness não é permitido treinar descalço, exatamente pela ponderação entre riscos e benefícios feita pelos profissionais do ginásio, garantindo segurança, higiene e treino eficiente para todos os frequentadores.

Se o objetivo é ganhar força, estabilidade e saúde a longo prazo, o uso de sapatos de treino adequados, que protegem, oferecem estabilidade e reduzem o risco de lesões e infeções, continua a ser a opção mais segura e melhor suportada pela ciência.

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Siga estas dicas e irá sentir-se ainda mais confortável ao vir treinar nos nossos clubes. Para mais informações sobre as nossas condições de adesão clique aqui ou contacte-nos através do nº 258 847 555 (Viana do Castelo)


Referências científicas usadas

 

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