O papel do magnésio no treino e na energia diária

Treinar mais não é sempre treinar melhor.
Num ambiente como o AXIS WELLNESS, onde o foco está num estilo de vida saudável, recuperação e bem-estar, há um fator muitas vezes negligenciado, mas absolutamente decisivo: o magnésio.
Este mineral pode ser a diferença entre evoluir de forma consistente, ou estagnar com fadiga, cãibras e recuperação lenta.
Porque é que o magnésio é crucial para quem treina?
O magnésio está envolvido em mais de 300 reações bioquímicas, muitas delas diretamente ligadas ao exercício físico.
Quando treina, o seu corpo:
- Consome mais energia
- Perde minerais através do suor
- Exige maior eficiência muscular e neurológica
Se os níveis de magnésio não acompanham esse esforço, o desempenho sofre.
Os principais benefícios do magnésio para o treino
1. Melhor desempenho muscular
Regula a contração e o relaxamento muscular, melhorando eficiência e reduzindo risco de lesão.
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2. Redução de cãibras e fadiga
Ajuda a prevenir espasmos musculares e fadiga precoce, especialmente em treinos intensos.
3. Aumento da produção de energia (ATP)
O ATP (adenosina trifosfato) é a principal molécula de energia das células. Permite contrair músculos, gerar força e sustentar o esforço físico.
O magnésio é essencial para a sua produção e utilização:
- mais energia
- melhor resistência
- menor quebra de rendimento
4. Recuperação muscular mais rápida
Reduz inflamação e apoia a regeneração muscular após o treino.
5. Sono e regeneração
O magnésio atua sobre o GABA (ácido gama-aminobutírico), um neurotransmissor que:
- reduz a atividade do sistema nervoso
- promove relaxamento
- melhora a qualidade do sono
6. Controlo do stress físico e mental
Ajuda a regular o cortisol, promovendo maior foco e equilíbrio.
Consumimos magnésio suficiente na alimentação?
Na maioria dos casos, não.
A ingestão abaixo do recomendado é comum devido a:
- consumo elevado de alimentos processados
- menor teor mineral dos solos agrícolas
- dietas pouco variadas
Alimentação rica em magnésio (base fundamental)
Antes de pensar em suplementação, é essencial garantir uma base alimentar sólida. O magnésio deve ser obtido, sempre que possível, através da alimentação.
Fontes principais:
- Sementes de abóbora (~550 mg/100g)
- Amêndoas (~270 mg/100g)
- Chocolate negro ≥85% (~230 mg/100g)
- Espinafres (~160 mg/100g)
- Abacate (~60 mg/100g)
- Salmão (~30 mg/100g)
👉 A alimentação continua a ser a base, mas pode não ser suficiente em contextos de treino mais regular ou intenso.
Quanto magnésio precisa por dia?
- Homens adultos: 400–420 mg/dia
- Mulheres adultas: 310–320 mg/dia
Estes valores representam a ingestão total diária (alimentação + suplementação).
E quem treina regularmente?
Com o exercício físico:
- aumenta a perda pelo suor
- aumenta o consumo energético
- aumenta a necessidade de recuperação
👉 As necessidades, nestas circunstâncias, podem ser ligeiramente superiores, mas devem ser sempre atingidas pela soma entre alimentação e suplementação.
A idade influencia a necessidade de magnésio?
Sim.
Com o envelhecimento:
- diminui a absorção intestinal
- aumenta a excreção renal
- há maior uso de medicamentos que interferem com o magnésio
👉 Resultado: maior risco de défice e necessidade de maior atenção nutricional.
Quando e como suplementar?
A suplementação deve ser vista como um complemento à alimentação, não como um aumento adicional do total diário recomendado.
Quando faz sentido suplementar:
- ingestão alimentar insuficiente
- treino regular ou intenso
- sinais de possível défice
- idade mais avançada
- avaliação clínica que o justifique
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Dose de suplementação (segura e prática)
- 100–300 mg/dia → dose habitual para complementar alimentação
- até ~350 mg/dia → em contextos de maior exigência física ou défice leve
👉 Importante:
A soma total (alimentação + suplemento) deve manter-se geralmente dentro de:
- 310–420 mg/dia em adultos
- podendo ser ajustada em atletas sob orientação profissional
Formas mais utilizadas:
- Glicinato → recuperação e sono
- Malato → energia e performance
- Citrato → digestão e suporte geral
Quando recorrer a uma avaliação médica?
Procure avaliação médica se houver:
- cãibras persistentes
- fadiga inexplicável
- alterações do sono prolongadas
- irritabilidade ou ansiedade sem causa clara
- quebra de rendimento contínua
O médico pode avaliar através de:
- análises laboratoriais
- histórico clínico e desportivo
- ajuste individual da suplementação
Sinais de alerta no treino
- recuperação lenta
- cãibras frequentes
- fadiga persistente
- baixa qualidade de sono
O detalhe que faz a diferença
O magnésio não é um detalhe, é um dos pilares silenciosos da performance, recuperação e saúde metabólica.
Se o seu objetivo é evoluir com consistência e inteligência, garantir níveis adequados deste mineral é uma das estratégias mais simples, e mais eficazes.
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Referências científicas
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- Gröber, U. et al. (2015). Magnesium in Prevention and Therapy. Nutrients.
- Rosanoff, A. et al. (2012). Suboptimal magnesium status in populations. Nutrition Reviews.
- Nielsen, F. H., & Lukaski, H. C. (2006). Magnesium and exercise. Magnesium Research.
- DiNicolantonio, J. J. et al. (2018). Magnesium and cardiovascular health. Open Heart.
- Barbagallo, M., & Dominguez, L. J. (2010). Aging and magnesium metabolism. World Journal of Diabetes.
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