A geração que vive mais anos está preparada para viver melhor?

Nunca vivemos tanto.

Em poucas gerações, a esperança média de vida aumentou de forma extraordinária. Graças aos avanços da medicina, da higiene, da vacinação e do tratamento de doenças, milhões de pessoas vivem hoje mais décadas do que os seus pais e avós alguma vez imaginaram.

Em Portugal, a esperança média de vida aumentou de cerca de 67 anos em 1960 para mais de 82 anos atualmente, um ganho superior a 15 anos em apenas duas gerações, uma das maiores conquistas de saúde pública da nossa história.

Mas há uma pergunta que raramente fazemos: estamos, realmente, preparados para viver melhor esses anos?

Porque viver mais não significa necessariamente viver com saúde, energia, independência e qualidade de vida.

E essa pode ser uma das maiores contradições do nosso tempo.

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O grande sucesso da medicina moderna

Há pouco mais de um século, muitas pessoas não chegavam à velhice.

As infeções eram frequentemente fatais. A mortalidade infantil era elevada. Doenças cardiovasculares e outras patologias tinham poucas opções terapêuticas.

A medicina moderna mudou esse cenário.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a esperança média de vida global aumentou mais de 30 anos desde o início do século XX.

É uma das maiores conquistas da história da humanidade.

Mas este sucesso criou um novo desafio.

Hoje não se trata apenas de acrescentar anos à vida. Trata-se de acrescentar vida aos anos.

Mais anos, mais doença?

Embora vivamos mais tempo, a prevalência de doenças crónicas continua a aumentar.

Doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, obesidade, osteoartrose e declínio cognitivo afetam milhões de pessoas em todo o mundo.

Muitas destas condições não provocam morte imediata. Provocam algo diferente.

  • Anos de limitação física.
  • Anos de dependência.
  • Anos de perda gradual de autonomia.

 

Segundo estudos publicados no The Lancet Healthy Longevity, existe uma diferença significativa entre esperança de vida e esperança de vida saudável, os anos vividos sem incapacidade ou doença incapacitante.

Em muitos países, essa diferença ultrapassa uma década.

Isto significa que uma pessoa pode viver mais 10 ou 15 anos, mas passar uma parte considerável desse período com limitações físicas significativas.

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A nova moeda da longevidade: capacidade funcional

Durante muito tempo, a idade cronológica foi vista como o principal indicador do envelhecimento.

Hoje sabemos que dois indivíduos da mesma idade podem apresentar níveis de saúde completamente diferentes.

A verdadeira questão não é quantos anos temos.

É o que conseguimos fazer com eles.

  • Conseguimos caminhar longas distâncias?
  • Subir escadas?
  • Levantar-nos do chão sem ajuda?
  • Transportar compras?
  • Viajar?
  • Brincar com os netos?
  • Manter independência?

 

A resposta a estas perguntas diz mais sobre a qualidade do envelhecimento do que a idade inscrita no cartão de cidadão.

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O músculo: o órgão da longevidade

Uma das descobertas mais relevantes dos últimos anos é o papel da massa muscular no envelhecimento saudável.

Tradicionalmente associada apenas à estética ou ao desempenho desportivo, a massa muscular é hoje reconhecida como um dos principais pilares da saúde futura.

A investigação demonstra que níveis mais elevados de força muscular estão associados a:

  • Menor mortalidade por todas as causas;
  • Melhor saúde metabólica;
  • Menor risco de quedas;
  • Menor probabilidade de incapacidade funcional;
  • Maior independência na idade avançada.

 

Por outras palavras, o músculo não serve apenas para parecer mais forte.

Serve para envelhecer melhor.

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O problema invisível da perda de capacidade

O envelhecimento raramente acontece de forma abrupta.

Na maioria das vezes é um processo silencioso.

  • Perde-se alguma força.
  • Reduz-se a atividade física.
  • Dorme-se um pouco pior.
  • Ganha-se algum peso.
  • O condicionamento cardiovascular diminui.
  • A recuperação torna-se mais lenta.

 

Ano após ano. Até que tarefas simples começam a exigir um esforço desproporcional.

O mais preocupante é que grande parte deste processo não resulta da idade em si, mas da perda progressiva de hábitos que protegem a saúde.

A ciência é clara: o estilo de vida continua a ser decisivo

Embora a genética desempenhe um papel importante, a investigação mostra que os comportamentos diários influenciam profundamente a forma como envelhecemos.

Entre os fatores mais consistentemente associados a uma maior esperança de vida saudável encontram-se:

Exercício físico regularParticularmente o treino de força e a atividade aeróbia.

Sono de qualidadeFundamental para a recuperação física, imunidade e função cognitiva.

Alimentação equilibradaAssociada à prevenção de doenças metabólicas e cardiovasculares.

Gestão do stressImportante para reduzir inflamação crónica e proteger a saúde mental.

Relações sociais significativasUm dos fatores mais fortemente associados à longevidade em diversos estudos populacionais.

O verdadeiro objetivo não é viver até aos 100 anos

A obsessão com a longevidade pode ser enganadora.

Viver até aos 100 anos não é necessariamente um objetivo desejável se os últimos 20 forem vividos com dependência, dor ou limitações severas.

O objetivo mais relevante é outro: aumentar o número de anos vividos com qualidade.

Os investigadores chamam-lhe healthspan, ou o período de vida vivido com boa saúde.

E é aqui que a maioria das decisões diárias ganha importância.

Não treinamos apenas para o próximo verão. Treinamos para a próxima década.

Não cuidamos do sono apenas para acordar melhor amanhã. Cuidamos do sono para proteger o cérebro nos próximos anos.

Não preservamos a massa muscular para parecer mais atléticos. Preservamo-la para continuar independentes quando mais precisarmos dela.

Estamos preparados para viver melhor?

A resposta depende menos dos avanços da medicina e mais das escolhas que fazemos todos os dias.

A ciência continuará a ajudar-nos a viver mais.

Mas viver melhor continuará a depender, em grande parte, da nossa capacidade de preservar aquilo que realmente importa:

  • Movimento
  • Força
  • Energia
  • Autonomia
  • Capacidade

 

Porque a verdadeira conquista não é acrescentar anos à vida. É chegar a esses anos com a liberdade de continuar a vivê-los plenamente.

O futuro da sua saúde não começa aos 70 ou aos 80 anos. Começa hoje. No AXIS WELLNESS, ajudamo-lo a investir na força, na vitalidade e na independência que irão definir a sua qualidade de vida nas próximas décadas.

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Referências bibliográficas

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Créditos da foto: Magnific