Axis Wellness Club

Porque fica tão cansado antes das férias?

Chega junho e, para muitas pessoas, as férias parecem estar finalmente ao alcance da vista.

Paradoxalmente, é também nesta altura que muitos se sentem mais cansados, mais irritáveis e com menos energia do que em qualquer outro momento do ano.

A explicação não está apenas no aumento das temperaturas ou na aproximação das férias. Na maioria dos casos, trata-se do resultado de meses de exigência física e mental acumulada.

O corpo e a mente chegam ao verão a precisar de recuperação, e ignorar esse sinal pode ter consequências importantes para a saúde e o bem-estar individual.

O fenómeno da fadiga acumulada

O stress faz parte da vida. Em doses moderadas, pode até ser benéfico, ajudando-nos a responder a desafios e a manter o foco.

O problema surge quando o stress se torna constante.

Prazos apertados, reuniões, responsabilidades familiares, problemas financeiros, privação de sono e falta de tempo para cuidar da saúde criam uma carga cumulativa que o organismo suporta durante semanas ou meses.

A ciência designa este fenómeno por “carga alostática” –  o desgaste físico e psicológico provocado pela exposição prolongada ao stress.

Segundo o neurocientista Bruce McEwen, um dos principais investigadores nesta área, a exposição contínua ao stress pode afetar múltiplos sistemas do organismo, incluindo o sistema cardiovascular, o sistema imunitário, o metabolismo e a função cognitiva.

Por outras palavras, o stress não afeta apenas a forma como nos sentimos. Afeta a forma como funcionamos.

Burnout: quando o organismo entra em modo de sobrevivência

Nos últimos anos, o burnout tornou-se uma das principais preocupações relacionadas com a saúde ocupacional.

A Organização Mundial da Saúde define o burnout como uma síndrome resultante de stress crónico no contexto profissional que não foi gerido com sucesso.

Os sintomas mais frequentes incluem:

  • Exaustão física e emocional;
  • Falta de energia;
  • Diminuição da motivação;
  • Menor capacidade de concentração;
  • Sentimento de ineficácia;
  • Irritabilidade;
  • Alterações do sono.

 

Muitas pessoas acreditam que precisam apenas de alguns dias de descanso. Mas, frequentemente, o problema começou a desenvolver-se muito antes de ser reconhecido.

PODE TER INTERESSE EM LER: Burnout: quando o corpo e a mente dizem “basta”

Porque sentimos mais cansaço antes das férias?

Curiosamente, muitas pessoas relatam sentir-se pior precisamente quando as férias se aproximam.

Existem várias explicações para este fenómeno.

Por um lado, o organismo consegue manter elevados níveis de alerta durante períodos prolongados quando existe um objetivo claro ou uma obrigação imediata. Quando a pressão diminui, a fadiga acumulada torna-se mais evidente.

Por outro lado, existe frequentemente um aumento da carga de trabalho antes das férias, numa tentativa de concluir projetos e resolver pendências.

O resultado é previsível:

  • Mais stress.
  • Menos recuperação.
  • Maior desgaste físico e mental.

O papel do exercício físico na gestão do stress

Quando estamos cansados, o exercício é frequentemente a primeira atividade a ser abandonada.

No entanto, a evidência científica sugere precisamente o contrário. A atividade física regular é uma das estratégias mais eficazes para reduzir os efeitos do stress.

O exercício contribui para:

  • Redução dos níveis de ansiedade;
  • Melhoria do humor;
  • Maior resistência ao stress;
  • Melhor qualidade do sono;
  • Aumento da energia diária;
  • Melhoria da função cognitiva.

 

Durante o exercício são libertadas substâncias como endorfinas, dopamina e serotonina, associadas ao bem-estar psicológico.

Além disso, a prática regular de atividade física ajuda a regular os níveis de cortisol, a principal hormona relacionada com a resposta ao stress.

PODE TER INTERESSE EM LER: Como o exercício ajuda a gerir o stress

Recuperar não é fazer nada

Existe um equívoco comum sobre recuperação. Muitas pessoas acreditam que recuperar significa simplesmente parar.

Mas a recuperação eficaz é mais ativa do que isso. Inclui hábitos que ajudam o organismo a restaurar os seus recursos físicos e mentais.

Priorizar o sono

O sono continua a ser uma das ferramentas mais poderosas para a recuperação. Dormir menos do que o necessário está associado a maior fadiga, pior capacidade cognitiva e menor tolerância ao stress.

Manter-se fisicamente ativo

Caminhadas, treino de força, exercício cardiovascular moderado ou atividades ao ar livre podem ajudar a reduzir a tensão acumulada.

PODE TER INTERESE EM LER: Exercícios para abrandar o ritmo e aclarar a sua mente

Passar mais tempo na natureza

Diversos estudos demonstram que o contacto com espaços verdes está associado à redução dos níveis de stress e a melhorias no bem-estar psicológico.

PODE TER INTERESSE EM LER: Equilíbrio entre trabalho, treino e vida pessoal: é possível?

Criar momentos de desconexão

Reservar períodos sem notificações, e-mails ou estímulos digitais pode ajudar a reduzir a sobrecarga mental.

PODE TER INTERESSE EM LER: Desintoxicação digital: facilite a sua desconexão

As férias não resolvem tudo

As férias são importantes. Permitem recuperar energia, alterar rotinas e criar momentos de descanso.

No entanto, esperar pelas férias para recuperar de um ano inteiro de desgaste é uma estratégia limitada.

A verdadeira proteção contra o stress constrói-se diariamente, através de hábitos consistentes.

Através do movimento, do sono, da alimentação, da gestão consciente do tempo, e da capacidade de criar espaço para a recuperação antes de atingir o limite.

PODE TER INTERESSE EM LER: O que é melhor para o stress: descanso ou movimento?

Conclusão

Se chega a junho cansado, sem energia e com a sensação de que precisa urgentemente de férias, saiba que não está sozinho.

Mas talvez a pergunta mais importante não seja “Quando vou descansar?” Talvez seja:

“O que estou a fazer ao longo do ano para evitar chegar a este ponto?”

A ciência mostra-nos que a gestão do stress não depende apenas de momentos ocasionais de descanso. Depende dos hábitos que cultivamos diariamente para proteger a nossa saúde física e mental.

Na AXIS WELLNESS ajudamos pessoas com vidas exigentes a desenvolver rotinas sustentáveis de exercício, recuperação e bem-estar, criando as bases para mais energia, maior resiliência ao stress e uma melhor qualidade de vida durante todo o ano,  e não apenas durante as férias.

Para saber como podemos ajudar clique aqui ou contacte-nos através do nº 258 847 555 (Viana do Castelo) 

Referências Bibliográficas

  1. McEwen, B. S. (2007). Physiology and neurobiology of stress and adaptation: Central role of the brain. Physiological Reviews, 87(3), 873–904.
  2. World Health Organization (2019). Burn-out an occupational phenomenon: International Classification of Diseases (ICD-11).
  3. Pedersen, B. K., & Saltin, B. (2015). Exercise as medicine – evidence for prescribing exercise as therapy in 26 different chronic diseases. Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports, 25(S3), 1–72.
  4. Schuch, F. B., et al. (2018). Physical activity and incident depression: a meta-analysis. American Journal of Psychiatry, 175(7), 631–648.
  5. Watson, N. F., et al. (2015). Recommended amount of sleep for a healthy adult. Sleep, 38(6), 843–844.
  6. Stubbs, B., et al. (2017). An examination of the anxiolytic effects of exercise. Psychiatry Research, 249, 102–108.
  7. Twohig-Bennett, C., & Jones, A. (2018). The health benefits of the great outdoors: A systematic review and meta-analysis of greenspace exposure. Environmental Research, 166, 628–637.
  8. American College of Sports Medicine (2021). ACSM’s Guidelines for Exercise Testing and Prescription (11th Edition).